conversas

Conversas são um modo de pensar, em que o eu se abre para o exterior, produzindo um espaço social especial onde não há predominância de uma linguagem verdadeira única. Possibilitam a transformação da voz do outro. Trata-se então da escolha do “outro-além-demim”, que fala através de sua alteridade. Conversas são fluidez e flexibilidade; capacidade de perceber os pensamentos do outro. E uma vez que qualquer significado é relativo e provisório, existe uma certa tensão que aponta também para outros contextos possíveis.

Conversas como um tipo de diálogo que possui sua própria dinâmica, sempre surpreendendo os participantes. As melhores conversas são aquelas que ambos os que conversam não conseguem controlar, funcionando como uma espécie de ímã exterior que atrai um e outro(a) para o lado de fora – produzindo uma abertura performativa que precisa ser experimentada, testada. Conversas acontecem como uma situação de jogo, e envolvem uma certa prática em como manter-se em um estado permanente de atenção e mudança (flexibilidade). Não há nada específico a ser atingido em uma conversa, exceto que quando os participantes sentem que estão fora dela – isto é, quando terminam um diálogo particular – já não podem simplesmente voltar aos mesmos lugares que haviam deixado anteriormente (alguma transformação deve ter acontecido). Logo, conversa é uma modalidade de movimento.

Ricardo Basbaum & Bojana Piškur [2006]

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Convite | Conversa coletiva

ponto 8

No trabalho re-projetando (Belo Horizonte), entendo o NBP como veículo urbanístico capaz de reunir e re-localizar certos desejos de cidade. Desejos discretos são transportados pelo veículo NBP ao mapa, que não é exatamente o lugar das coisas discretas: a microscopia do cotidiano não cabe nos mapas. Porém, ao NBP só importa a microscopia. Ele pronuncia o esforço de habitar o mapa, de invadi-lo com o ímpeto do corpo e a sua capacidade performativa cotidiana. O inesperado master plan NBP lança desejos de cidade em órbita discreta.

O NBP lhe sugere um desenho inconsequente? Uma forma arbitrária? Não me parece mais inconsequente nem mais arbitrário do que o próprio urbanismo. O master plan NBP poderia ser considerado um urbanismo irônico? Ou seria um modelo utópico? Ele furta a estratégia do espaço concebido e a retorna ao espaço percebido, levando o planejamento ao rés-do-chão. O NBP inscrito sobre o mapa denuncia risonho a arbitrariedade própria do planejamento – espaço desenhado alhures, traço incomensurável que prevê futuros falsamente conhecidos. Se o urbanismo é patafísica – uma ciência de soluções imaginárias – como disse uma vez um geógrafo atento, por que não um master plan NBP?

O NBP se autentica no desdesenho da linha autoral e autoritária, duas faces da mesma moeda. O mito do coletivo. O mito do indivíduo. É uma fábula contada a muitas vozes. NBP ou Novas Bases para a Personalidade nos diz que o indivíduo não se constrói isolado da coletividade Eu-você. Eu-traço. Você-tropeça. Objet trouvé: tropeço no NBP.

Uma forma de escala versátil que se acomoda no mapa como nos acomodamos aqui. Uma linha memorizável que pode materializar-se de infinitas maneiras. Investigação sobre a memória da forma e a sua pregnância matérica. O NBP imantado leva o Museu à cidade e o transforma num ouvido gigante. Jogo de ecos: eco da cidade no Museu, eco do Museu na cidade, numa espécie de sociologia simétrica. No centro da forma construída, lugar do murmúrio efêmero ou eterno muro de lamentações, a cidade enuncia a sua presença no Museu e o Museu faz elogio à sua falta de paredes.

Desvios de identidade no fluxo da sua vontade de transformação: Museu-casa, Museu-mausoléu, Museu-caixa-forte, Museu-mídia ou Museu-praça. Como uma praça da cidade, re-bancos é o lugar discursivo dos desejos de cidade a partir dos sete pontos do NBP que reverberam os desejos do Museu, oitavo ponto. Museu autofalante aqui, agora. Ato sonoro necessário para apagar distâncias reais e mobilidades difíceis.

re-projecting (utrecht) [arquivo]

re-projetando

re-projetando é organizado a partir de quatro etapas:

1. a forma NBP é projetada sobre o mapa de Belo Horizonte, configurando os limites de uma proposta de intervenção.

2. os pontos em que os ângulos da forma NBP tocam o mapa são escolhidos como locais para o desenvolvimento de investigações (que podem eventualmente se transformar em intervenções específicas) relacionadas às linhas de trabalho de cada um dos colaboradores (indivíduos, grupos, coletivos, etc).

3. os locais selecionados (áreas públicas ou privadas e os indivíduos, grupos e comunidades que ali circulam, habitam ou trabalham) funcionarão como interfaces entre as práticas contemporâneas (em arte mas também em outros campos e disciplinas) e as investigações ali conduzidas pelos colaboradores, apontando para a produção discursiva em suas dimensões de registro escrito e derivações sonoras.

4. espera-se a produção de uma tensão, caracterizada como conversação, negociação e provocação recíprocas, sob o signo da intervenção.

Estudando o rap

Pi-pa-aqui-é-pá-pá-gai Pavor-ô-ô-ô-ô